A volta de Jesus, O significado

A volta de Jesus, O significado

Dentre os cinco principais pilares do Cristianismo, a volta de Jesus, também chamada de PAROUSIA ou PARUSIA, é um tema extremamente complexo abordado por diversas vertentes cristãs. No meio Pentecostal, a parusia tem sido referenciada principalmente nos púlpitos, porém nem sempre essa temática tem sido explanada de maneira correta por pastores e preletores, pois encontramos por exemplo a perpetuação de ensinamentos errôneos sobre um possível arrebatamento secreto dos crentes ou sobre uma vinda invisível de Jesus. Alguns fatores favorecem esses erros: a falta de conhecimento da Palavra, os dilemas sofridos pelo próprio ministrador e a questão da parusia envolver fatores abstratos, visto que a esperança escatológica tira o domínio do homem, sendo uma fé construída não em fatos concretos, mas em algo vindouro, numa promessa ainda não cumprida.

Imagem 1 – Representação de Jesus ensinado no monte das oliveiras

Estudos norte-americanos comprovam que apenas 48% dos cristãos daquele país acreditam na volta de Cristo e, apesar de não terem tido estudos brasileiros à respeito, percebe-se que há grandes probabilidades de termos resultados próximos no Brasil, pois a raridade de debates à respeito da parusia em instituições religiosas cristãs, poderia fomentar a ignorância na mentalidade dos fiéis resultando em possível descrença.

Por quê?

A volta de Cristo após sua morte, ressurreição e ascensão ao Céu tem como principal objetivo colocar ordem no caos. Para destruir a cultura de que coisas valem mais que pessoas e, para trazer à tona princípios morais e espirituais perdidos. Para tal fim, há alguns objetivos específicos determinantes, que são: vindicar o caráter de Deus, cumprir Sua promessa, pôr fim ao império da morte, ressuscitar os santos e liquidar de vez, com o domínio do mal. Diante disso, a preocupação do cristão deve estar voltada no preparo individual para receber Cristo novamente. ESTAREMOS PREPARADOS PARA TERMOS TODOS OS VERDADEIROS INTENTOS DE NOSSOS CORAÇÕES VINDO À TONA?

Imagem 2 – Representação de com será a segunda vinda de Cristo

Antigo testamento: alguns relatos proféticos

Imagem 3 – Bíblia aberta

Em todos os livros da Bíblia há alguma menção direta ou indireta sobre a volta triunfal de Cristo, totalizando 2500 referências bíblicas. No Antigo Testamento a volta é, por vezes, chamada de “O Dia do Senhor”. A primeira profecia escatológica encontra-se no livro de Gênesis, capítulo 3, versículo 15:

“Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este ferirá a sua cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar”.

Desde à Antiguidade, o homem espera a vinda de um libertador que o religaria a Deus, de volta ao paraíso perdido. Abraão acreditou que Isaque poderia ser o libertador, não era ele. No Egito, por 430 anos, o povo israelita aguardou um libertador, Moisés os libertou do Egito, mas eles se mantiveram escravos do pecado. Jó esperou o Salvador (Jó 19.26) e descansou com a certeza de que O veria. Davi aguardou o libertador no Salmo 96.13. O profeta messiânico Isaías (Isaías 35.4) predisse, em quase todo seu livro, a vinda de Jesus, assim como Miqueias no capítulo 5.2. Ele veio. A resposta do inferno ao nascimento de Cristo também foi predita em Jeremias 31.15, e de fato Herodes personificando a resistência do mal, matou diversos recém-nascidos (Mateus 2. 16-18). Por fim, no livro de Daniel, no momento da interpretação do sonho dado a Nabucodonosor, sabemos que tudo descrito no sonho se cumpriu, apenas restando uma parte: A PEDRA. A volta de Cristo é o último evento.

Novo testamento: relatos bíblicos concisos

No Novo Testamento, a parusia é apontada numerosas vezes em profecias, acompanhadas de palavras de incentivo aos crentes, para continuarem esperançando.

Imagem 4 – Representação do apostolo Paulo

Alguns versículos que confirmam a volta de Jesus são: Tiago 5.8; Lucas 19.13; 2 Tessalonicenses 1.7; 1 Timóteo 6.14; Lucas 21.34; 1 Pedro5.4; Lucas 19.12; Atos 1. 10-11; João 13.19 e Romanos 13.11. Além desses versículos, requer leitura o capítulo 13 do Evangelho de Marcos, capítulo 24 do Evangelho de Mateus e claro, o livro do Apocalipse, escrito pelo apóstolo amado João. Em Apocalipse, o grande advento é a parusia, que seria precedida pelo despertamento religioso do povo escolhido e pela grande apostasia no restante do planeta. Porém, Cristo deixa registrada a certeza de sua volta, em João 14. 1-3:

“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também”.

Como será?

Não se pode determinar o tempo da parusia por cálculos matemáticos, ninguém sabe quando Cristo voltará, nem o próprio sabia, quando esteve na Terra, em carne. Mesmo assim, grupos de cientistas e religiosos tentaram demarcar essa data e chegaram à conclusão que aconteceria em 1844. Porém, decepcionados com a não efetivação, retornaram aos estudos e concluíram que nessa data Jesus havia passado do lugar Santo ao lugar Santíssimo do Santuário Celestial. Qualquer ser humano que tente marcar uma data para a volta de Jesus, estará fadado ao fracasso.

A descrição, aproximada – pois não nos foi permitida acessar a completa manifestação da Glória antes do tempo previsto – do que aconteceria na parusia tanto nos níveis celestiais quanto terrenos encontra-se em Apocalipse capítulo 19. A certeza que temos é que será de maneira indubitavelmente visível, pois todo olho verá e toda língua confessará a volta do Cristo. Será como foi a Sua ida, onde Seus discípulos o viram subir aos céus e dos céus Ele retornará. (Apocalipse 1.7 / Mateus 24.30). Selará o destino eterno e para os salvos representará a glória e a felicidade, enquanto para aqueles que não aceitaram o convite do Evangelho, será o horror e desprezo para sempre (Mateus 25. 31-46).

Imagem 5 – Representação da volta de Cristo

Jesus, o Cristo, virá com milhares de anjos e não pisará na Terra. Ele permanecerá a uma certa distância, esperando que seus anjos reúnam os escolhidos, tanto os ressuscitados, quanto os viventes, então serão arrebatados. Um grupo não experimentará a morte (os viventes), serão aqueles que terão passado pela grande tribulação (Daniel cap 12; Apocalipse cap 7), pela angústia de Jacó (Jeremias cap 30), que terão suas vestes lavadas e que receberão um corpo incorruptível, totalizando 144 mil pessoas. , apesar de teólogos divergirem acerca da interpretação literal, onde muitos conferem a esse número um caráter simbólico, tratando –se de uma referência quantitativa de pessoas com características específicas de santidade como: manutenção da castidade, seguidores de Cristo, não faltariam com a verdade e não cometeriam faltas.

Haverá um quantitativo populacional somado a esse grupo, os justos mortos, que despertarão e sairão de seus túmulos transformados, também com um corpo incorruptível e para nunca mais sentirem as dores do pecado. Os ímpios que morreram não ressuscitarão, porém após 1000 anos, serão enganados por Satanás e tentarão invadir a Jerusalém celestial, entretanto descerá fogo do céu e eles serão consumidos pela eternidade (Apocalipse cap 20/ João cap 5).

Teologia paulina: uma abordagem assertiva

O apóstolo dos gentios, Paulo, percorreu o mundo fundando novas comunidades cristãs na firme convicção de que o fim estava próximo e que, por isso, o Evangelho deveria ser anunciado antes da catástrofe apocalíptica.

Algumas correntes teológicas afirmam que os conceitos escatológicos de Paulo sofreram transformações radicais no decorrer de sua vida, onde percebe-se que ele não mais defendia a espera da perfeição final da parusia, e sim dos acontecimentos, conforme se aproximava da morte individual. Dessa forma, Paulo teria espiritualizado a escatologia com a concepção da imortalidade da alma (2 Co 5. 1-10 e Fl 1.23). A esperança de Paulo se fundamenta na Graça de Deus, e que onde ela há não existe a falta de crença na vida eterna. Assim como Deus ressuscitou a Cristo, seremos ressuscitados (1 Co 6.14). A dependência a Cristo nos faz humildes e gratos, pela Graça, pois se o homem fosse imortal por natureza, a cruz e a ressurreição do salvador teriam sido inúteis

Enquanto a Igreja primitiva sofria crise na fé por ter interpretado a parusia como algo imediato, havia o apontamento de uma vertente de que a espera seria demorada (2 Pedro 3. 4). A justificativa despontava num novo entendimento do fator tempo (2 Pedro 3.8), visto que o tempo de Deus (Kairós) era totalmente diferente do tempo humano (Chronos).

Para a teologia Paulina, a demora da parusia não lhe criava grandes conflitos, pois:

  • – Mortos seriam ressuscitados e junto dos vivos seriam arrebatados (1 Tess 4.13);
  • – Não havia preocupação com o tempo, diante da absoluta certeza para a realização da promessa (1 Ts 5.1-2);
  • – Nosso papel consiste em andarmos em comunhão com cristo (1 Ts 5.9-10);
  • – Fomos destinados, em Cristo, à vida eterna. Logo, nosso papel na salvação futura é irrelevante ( 1 Co 15.1-11 e Fl 1.23).

Paulo defende a existência cristã como intermediária, entre o que Deus fez em Cristo e o que Ele ainda fará; Logo, alguns versículos representam o intento de preparo e treinamento, para promover a transformação necessária à Igreja, para a volta de Cristo. Esses principais argumentos paulinos apocalípticos encontram-se em : 1 Co 15. 24-26; 1 Co 4, 5. 11-23; 1 Ts 4.13; 1 Co 13.20; 1 Ts 3.13; 1 Ts 1.10.

Imagem 6 – Representação do apostolo Paulo

A teologia paulina, no tocante ao treinamento para a volta de Cristo, tem sua síntese na carta aos Romanos capitulo 8. Contudo, precisamos nos atentar que para Paulo, mesmo que a busca pela transformação, sugerida a partir da comunhão com Cristo, viesse a se tornar inútil, caso não tivéssemos a certeza da parusia, ela jamais seria de fato sem utilidade, pois nossa principal preocupação não pode ser a espera do retorno de Cristo. O processo íntimo de transformação pessoal até a parusia, é o mote da visão do apóstolo, assim fazendo com que o “meio” justifique o “fim”.

Autor(a): Juliana Chinelli Produtora de Texto HelpMéier

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1) Bíblia Sagrada. Versão Revista e Corrigida. Tradução João Ferreira de Almeida. 2ª Edição 2009. Ed. King’s Cross
2) A segunda vinda de Cristo. www.escola-ebd.com.br/lição11. Revista do Professor 3o trimestre de 2017. www.cpad.com.br
3) A volta de Jesus. SILVA, Cláudio. TCC Bacharelado Teologia UNINTA (Centro Universitário INTA). 2013
4) Revista eletrônica GospelPrime. www.gospelprime.com.br/cristao-creem-volta-jesus-2050. 21 de novembro 2014. Jarbas Aragão
5) Os Sinais da Volta de Jesus. www.religiaodedeus.org/pt/estudos-biblicos/os-sinais-da-volta-de-jesus
6) A divindade de Jesus Cristo. DIAS, Adiclecio Ferreira. Artigo científico. Bacharelado em Teologia pela Escola de Ensino Superior FABRA. 2016

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